
Não é preciso falar chinês para viajar na China, mas é preciso ter uma estratégia. Com cinco frases, duas aplicações e um telefone bem preparado, comunicas tudo o que é preciso: um endereço, um prato, uma alergia e um preço.
Fora dos hotéis e dos aeroportos, o inglês é raro entre pessoas de mais de trinta anos. Vais encontrar quem o fale no pessoal jovem das cidades grandes, nas lojas de marcas internacionais e nos cafés de moda, mas não contes com isso numa farmácia de bairro, num mercado ou num táxi.
Isto não é falta de simpatia, é falta de hábito: o país tem uma língua franca interna, o mandarim, e quem viaja dentro da China raramente precisa de outra. Para quem vem de Portugal, a boa notícia é que a comunicação escrita funciona melhor do que a falada: mostrar caracteres no telefone resolve quase tudo, e resolve melhor do que qualquer tentativa de pronúncia.
Em zonas rurais e em aldeias, ninguém fala inglês e há ainda dialetos ou línguas minoritárias pelo meio. É aí que um guia local faz toda a diferença, e é por isso que os circuitos que passam por Guizhou, Yunnan ou pelo planalto incluem sempre um guia da zona além do guia que fala português.
A pronúncia é aproximada e não tens de acertar nos tons: os chineses percebem a frase dita com sotaque. Estas dez chegam longe.
Hoje, traduzir é o problema mais fácil de todos. O Google Translate faz tradução de texto, de conversa e, sobretudo, de imagem: aponta a câmara a um menu, a um painel ou a um sinal de rua e lê o resultado em português. Descarrega o pacote de chinês offline antes de partir: sem rede ou com VPN bloqueada, ele continua a funcionar.
Se a VPN estiver a falhar, o Baidu Translate faz o mesmo sem depender de servidores bloqueados e tem versão em português com qualidade aceitável. Para palavras soltas e para identificar caracteres, uma aplicação de dicionário com escrita à mão é mais rápida do que fotografar.
O WeChat, que é a aplicação de mensagens de todos os chineses, tem tradução integrada: se alguém te escrever em chinês, carrega na mensagem e vê a tradução. Combinado com o papel escrito pelo hotel, isto significa que a barreira da língua, hoje, é mais uma questão de método do que de conhecimento.
O truque número um da viagem é este, e vale para o primeiro dia e para o último. Pede ao hotel que escreva em caracteres chineses o nome, o endereço e o número de telefone num cartão ou num papel, e guarda-o na carteira. Serve para o táxi à ida, para o táxi à volta e para o caso de te perderes a pé.
O mesmo princípio aplica-se ao resto. Se tens uma alergia alimentar, se és vegetariano, se não comes carne de vaca ou porco, pede ao consultor ou ao guia um cartão com a frase escrita em chinês e mostra-o no restaurante. Funciona sempre melhor do que qualquer explicação, sobretudo quando há ruído e pressa.
Os teus guias e o teu consultor têm estas frases preparadas e imprimem-nas em tamanho grande. Num circuito em português, o guia licenciado que te acompanha traduz, explica e, mais importante, interpreta o contexto: a diferença entre traduzir uma frase e explicar porque é que aqui se faz assim. É exatamente para isto que a JoyoTour trabalha com guias licenciados que falam português desde há anos, e não com tradutores improvisados.
A solução mais simples é procurar menus com fotografias, que existem em quase todos os restaurantes de bairro e em todos os que servem turistas. Se não houver fotografias, aponta o prato da mesa ao lado: é uma prática culturalmente aceite e ninguém se ofende.
As fotografias enganam menos do que o nome traduzido. Um prato chamado 'frango em pedaços com pimenta e amendoim' é exatamente isso: frango, pimenta e amendoim. Já o nome chinês pode descrever o método de corte, o cozinhado ou uma expressão poética, e a tradução automática dá resultados curiosos mas inúteis.
Com o telemóvel apontado ao menu, lê-se tudo em segundos. Para além disso, há regras práticas que evitam surpresas: em Sichuan, Hunan e Guizhou conta com picante; em Guangdong e em Xangai, a comida é mais suave; nos restaurantes de templos e nos vegetarianos, os pratos não têm carne. Se estiveres com crianças, pede primeiro um prato de arroz e um de legumes salteados: ficam satisfeitas e a refeição segue tranquila.
Nos mercados de rua e nas bancas de lembranças, o regateio é a norma e espera-se que o faças. Uma descida de trinta a cinquenta por cento no primeiro preço pedido é habitual e não ofende ninguém. A regra de ouro é manter o bom humor: se o preço não serve, agradece e afasta-te, e muitas vezes ouves a segunda proposta antes de saíres do alcance da voz.
Noutros lugares, regatear é um erro de educação. Nos templos, nas farmácias, nos supermercados, nos restaurantes com menu e nos táxis com taxímetro, o preço é fixo e ponto final. Insistir nestes casos cria uma situação desconfortável para todos, e sobretudo para ti.
Uma nota importante sobre as lojas: se alguém te levar a uma loja de jade, de seda ou de chá que não pediste, não há obrigação nenhuma de comprar nada. A JoyoTour trabalha sem paragens obrigatórias em lojas e sem comissões em compras, e os seus circuitos são privados ou em grupos pequenos de no máximo doze pessoas, o que elimina essa parte incómoda da viagem organizada à moda antiga.
Os chineses são, em geral, prestáveis e curiosos com estrangeiros, e vão tentar ajudar mesmo sem falar inglês. Escolhe bem quem abordar: funcionários de loja, seguranças de edifícios, pessoal de estação e jovens estudantes são as apostas mais seguras. Evita pedir ajuda a quem está claramente com pressa ou a conduzir uma bicicleta.
Começa sempre por 'nǐ hǎo' e mostra o texto em caracteres. Se a pessoa responder em chinês e tu não entenderes, mostra outra vez o ecrã e faz um gesto de dúvida: normalmente pega no teu telemóvel, escreve ou aponta o caminho no mapa, e às vezes chama outra pessoa para ajudar. É frequente acabar a rua acompanhado por alguém que decidiu levar-te ao destino.
Há uma etiqueta simples que ajuda: não apontes com o dedo indicador a pessoas (usa a mão aberta), agradece sempre com 'xièxie', e não te ofendas se alguém ri ou filma: a barriga e o cabelo loiro continuam a ser novidade em muitas zonas do país. Se estiveres acompanhado por um guia, quase nenhuma destas situações acontece, mas vale a pena conhecê-las para os momentos livres.
Vinte minutos em casa poupam horas de confusão no destino. Estas são as operações que fazemos com os nossos viajantes antes da partida:
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