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Telhados e cantos da Cidade Proibida, em Pequim
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Guia prático

Idioma e comunicação
na China

Não é preciso falar chinês para viajar na China, mas é preciso ter uma estratégia. Com cinco frases, duas aplicações e um telefone bem preparado, comunicas tudo o que é preciso: um endereço, um prato, uma alergia e um preço.

Quem fala inglês, na prática

Fora dos hotéis e dos aeroportos, o inglês é raro entre pessoas de mais de trinta anos. Vais encontrar quem o fale no pessoal jovem das cidades grandes, nas lojas de marcas internacionais e nos cafés de moda, mas não contes com isso numa farmácia de bairro, num mercado ou num táxi.

Isto não é falta de simpatia, é falta de hábito: o país tem uma língua franca interna, o mandarim, e quem viaja dentro da China raramente precisa de outra. Para quem vem de Portugal, a boa notícia é que a comunicação escrita funciona melhor do que a falada: mostrar caracteres no telefone resolve quase tudo, e resolve melhor do que qualquer tentativa de pronúncia.

Em zonas rurais e em aldeias, ninguém fala inglês e há ainda dialetos ou línguas minoritárias pelo meio. É aí que um guia local faz toda a diferença, e é por isso que os circuitos que passam por Guizhou, Yunnan ou pelo planalto incluem sempre um guia da zona além do guia que fala português.

Dez frases que resolvem metade dos problemas

A pronúncia é aproximada e não tens de acertar nos tons: os chineses percebem a frase dita com sotaque. Estas dez chegam longe.

  • Nǐ hǎo (ni kao) — olá. A fórmula básica; usada com um sorriso, abre todas as portas.
  • Xièxie (sié-sié) — obrigado.
  • Duìbuqǐ (dui-bu-tchi) — desculpe. Serve para chamar a atenção de alguém.
  • Qǐngwèn (tching-uén) — com licença, posso perguntar.
  • Duōshao qián? (do-chao tchién) — quanto custa?
  • Tài guì le (tai guê le) — é muito caro. Essencial nos mercados.
  • Bù yào (pu iao) — não quero. Dito duas vezes e com a mão, afasta qualquer vendedor.
  • Wǒ bù dǒng (uo pu dong) — não entendo.
  • Cèsuǒ zài nǎr? (tse-suo zai nar) — onde é a casa de banho?
  • Bùyào là (pu iao la) — sem picante. Guarda-o bem se não gostas de comida forte.
Números: yī, èr, sān, sì, wǔ, liù, qī, bā, jiǔ, shí. Com estes dez, mais o telele para o telefone, entendes qualquer preço dito em voz alta num mercado. Se o vendedor insistir, a calculadora do teu telemóvel resolve a conversa em dois segundos.

As aplicações de tradução

Hoje, traduzir é o problema mais fácil de todos. O Google Translate faz tradução de texto, de conversa e, sobretudo, de imagem: aponta a câmara a um menu, a um painel ou a um sinal de rua e lê o resultado em português. Descarrega o pacote de chinês offline antes de partir: sem rede ou com VPN bloqueada, ele continua a funcionar.

Se a VPN estiver a falhar, o Baidu Translate faz o mesmo sem depender de servidores bloqueados e tem versão em português com qualidade aceitável. Para palavras soltas e para identificar caracteres, uma aplicação de dicionário com escrita à mão é mais rápida do que fotografar.

O WeChat, que é a aplicação de mensagens de todos os chineses, tem tradução integrada: se alguém te escrever em chinês, carrega na mensagem e vê a tradução. Combinado com o papel escrito pelo hotel, isto significa que a barreira da língua, hoje, é mais uma questão de método do que de conhecimento.

Mostrar o endereço é mais eficaz do que dizê-lo

O truque número um da viagem é este, e vale para o primeiro dia e para o último. Pede ao hotel que escreva em caracteres chineses o nome, o endereço e o número de telefone num cartão ou num papel, e guarda-o na carteira. Serve para o táxi à ida, para o táxi à volta e para o caso de te perderes a pé.

O mesmo princípio aplica-se ao resto. Se tens uma alergia alimentar, se és vegetariano, se não comes carne de vaca ou porco, pede ao consultor ou ao guia um cartão com a frase escrita em chinês e mostra-o no restaurante. Funciona sempre melhor do que qualquer explicação, sobretudo quando há ruído e pressa.

Os teus guias e o teu consultor têm estas frases preparadas e imprimem-nas em tamanho grande. Num circuito em português, o guia licenciado que te acompanha traduz, explica e, mais importante, interpreta o contexto: a diferença entre traduzir uma frase e explicar porque é que aqui se faz assim. É exatamente para isto que a JoyoTour trabalha com guias licenciados que falam português desde há anos, e não com tradutores improvisados.

Ler um menu sem ler chinês

A solução mais simples é procurar menus com fotografias, que existem em quase todos os restaurantes de bairro e em todos os que servem turistas. Se não houver fotografias, aponta o prato da mesa ao lado: é uma prática culturalmente aceite e ninguém se ofende.

As fotografias enganam menos do que o nome traduzido. Um prato chamado 'frango em pedaços com pimenta e amendoim' é exatamente isso: frango, pimenta e amendoim. Já o nome chinês pode descrever o método de corte, o cozinhado ou uma expressão poética, e a tradução automática dá resultados curiosos mas inúteis.

Com o telemóvel apontado ao menu, lê-se tudo em segundos. Para além disso, há regras práticas que evitam surpresas: em Sichuan, Hunan e Guizhou conta com picante; em Guangdong e em Xangai, a comida é mais suave; nos restaurantes de templos e nos vegetarianos, os pratos não têm carne. Se estiveres com crianças, pede primeiro um prato de arroz e um de legumes salteados: ficam satisfeitas e a refeição segue tranquila.

Preços, regateio e o que não se discute

Nos mercados de rua e nas bancas de lembranças, o regateio é a norma e espera-se que o faças. Uma descida de trinta a cinquenta por cento no primeiro preço pedido é habitual e não ofende ninguém. A regra de ouro é manter o bom humor: se o preço não serve, agradece e afasta-te, e muitas vezes ouves a segunda proposta antes de saíres do alcance da voz.

Noutros lugares, regatear é um erro de educação. Nos templos, nas farmácias, nos supermercados, nos restaurantes com menu e nos táxis com taxímetro, o preço é fixo e ponto final. Insistir nestes casos cria uma situação desconfortável para todos, e sobretudo para ti.

Uma nota importante sobre as lojas: se alguém te levar a uma loja de jade, de seda ou de chá que não pediste, não há obrigação nenhuma de comprar nada. A JoyoTour trabalha sem paragens obrigatórias em lojas e sem comissões em compras, e os seus circuitos são privados ou em grupos pequenos de no máximo doze pessoas, o que elimina essa parte incómoda da viagem organizada à moda antiga.

Pedir ajuda na rua: como fazê-lo bem

Os chineses são, em geral, prestáveis e curiosos com estrangeiros, e vão tentar ajudar mesmo sem falar inglês. Escolhe bem quem abordar: funcionários de loja, seguranças de edifícios, pessoal de estação e jovens estudantes são as apostas mais seguras. Evita pedir ajuda a quem está claramente com pressa ou a conduzir uma bicicleta.

Começa sempre por 'nǐ hǎo' e mostra o texto em caracteres. Se a pessoa responder em chinês e tu não entenderes, mostra outra vez o ecrã e faz um gesto de dúvida: normalmente pega no teu telemóvel, escreve ou aponta o caminho no mapa, e às vezes chama outra pessoa para ajudar. É frequente acabar a rua acompanhado por alguém que decidiu levar-te ao destino.

Há uma etiqueta simples que ajuda: não apontes com o dedo indicador a pessoas (usa a mão aberta), agradece sempre com 'xièxie', e não te ofendas se alguém ri ou filma: a barriga e o cabelo loiro continuam a ser novidade em muitas zonas do país. Se estiveres acompanhado por um guia, quase nenhuma destas situações acontece, mas vale a pena conhecê-las para os momentos livres.

Preparar isto antes de partir

Vinte minutos em casa poupam horas de confusão no destino. Estas são as operações que fazemos com os nossos viajantes antes da partida:

  • Descarregar os pacotes offline de tradução e de mapas no telemóvel.
  • Guardar num ficheiro os nomes, endereços e telefones de todos os hotéis em caracteres chineses.
  • Escrever com o consultor o cartão de frases úteis: alergias, restrições alimentares e pedidos médicos.
  • Instalar e testar a VPN e as carteiras digitais antes de sair de casa.
  • Levar uma bateria externa: o telemóvel passa a ser mapa, tradutor, bilhete e carteira no mesmo dia.
Cópia de segurança: imprime ou guarda offline uma folha com os endereços em caracteres, os telefones dos hotéis e o contacto de assistência. Se o telefone ficar sem bateria ou se perder, essa folha continua a levar-te a casa. O ChinaTour.es entrega essa folha preparada no dossier de viagem, em português e em chinês.

Perguntas frequentes

Consigo viajar na China sem saber chinês?
Sim, e a maioria dos viajantes faz exatamente isso. Com aplicações de tradução, endereços escritos em caracteres e cinco frases básicas, resolve-se praticamente tudo.
Vale a pena aprender mandarim antes da viagem?
Vale para a experiência, não para a sobrevivência. Meia dúzia de frases abre portas e gera simpatia; para o resto, o telefone é mais eficaz do que a pronúncia.
A tradução por imagem funciona bem?
Muito bem para menus, painéis e sinais. Basta apontar a câmara. Descarrega o pacote de chinês offline para funcionar mesmo sem rede.
O que faço se tenho uma alergia alimentar?
Leva um cartão com a frase escrita em chinês, em letras grandes, e mostra-o no restaurante. Um guia que fala português elimina este risco por completo nas refeições incluídas.
E se ninguém entender o meu hotel?
Mostra o nome e o endereço por escrito em caracteres chineses, e o número de telefone do alojamento. Em último caso, o motorista ou alguém na rua liga para lá.
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