
A tentação é levar tudo. Mas na China encontras praticamente tudo o que precisas, muitas vezes a preços melhores, e cada quilo a mais paga-se em escadas, estações e noites a subir um planalto. A lista certa é mais curta do que parece.
Um erro frequente é fazer a mala a pensar num clima só. Uma viagem de duas semanas na China atravessa muitas vezes regiões diferentes: pode fazer 30 graus em Xangai e 5 graus à noite em Qinghai, tudo no mesmo percurso. Em vez de roupas específicas para cada cenário, leva peças que se sobrepõem em camadas removíveis.
Na prática, isto significa uma base leve (t-shirt, camisa de manga comprida), uma camada intermédia (camisola polar ou casaco fino) e uma camada exterior de corta-vento ou impermeável. Com estas três, cobre-se do calor húmido de Guangzhou ao frio seco do planalto, e a mala continua a caber.
Há uma peça que quase ninguém pensa em levar e que faz toda a diferença: sapatos já usados e confortáveis. Na China anda-se muito, em pisos irregulares, em escadas de templos e em calçada de aldeias. Sapatos novos em viagem é o caminho mais direto para bolhas nos primeiros três dias.
Se há coisa que não se resolve no destino, é um documento perdido. Por isso, o dossier de viagem é a primeira coisa a preparar e a última a arrumar.
A China usa 220 volts, 50 hertz, o mesmo que Portugal, pelo que os teus aparelhos funcionam sem transformador. O que muda é a ficha: em grande parte das tomadas chinesas a entrada é de dois pinos planos paralelos ou de três pinos planos, diferentes das fichas de dois pinos redondos que usamos em Portugal.
Precisas, portanto, de um adaptador, não de um transformador. Leva dois: um na mochila e um na mala, porque na hora de carregar tudo à noite, com telefones, câmaras e baterias, um único adaptador transforma-se num problema de logística familiar.
Se viajas com vários aparelhos, uma extensão com tomadas portuguesas mais um adaptador chinês é a solução mais prática: carregas tudo de uma vez e levas apenas um adaptador. Deixa as extensões e os carregadores na mala de porão ou na bagagem de mão, conforme a bateria, e usa sempre adaptadores de qualidade: uma ficha barata mal feita pode danificar um carregador caro.
A China tem verões quentes e húmidos no sul e no leste, invernos secos e frios no norte, e um planalto em que a amplitude térmica diária é enorme. Vestir-se bem é vestir-se por camadas.
Leva uma farmácia pequena e pessoal, com o que sabes usar. Na China encontras medicamentos, mas as embalagens estão em chinês e o nome comercial é diferente do europeu, o que numa situação de mal-estar é exatamente o que não queres estar a descortinar.
Nos aeroportos e nos comboios chineses há controlo de bagagem, e nas estações de alta velocidade passa-se por pórtico à entrada. As regras sobre baterias são as que causam mais problemas e são fáceis de cumprir se souberes o essencial.
As baterias externas e as baterias de lítio vão sempre na bagagem de mão, nunca na mala de porão, e devem estar identificadas com a capacidade em watt-hora. As baterias até 100 Wh são aceites sem autorização especial; acima desse valor, precisam de aprovação da companhia, o que raramente vale a pena tratar. Um carregador comum de 20.000 mAh fica bem dentro do limite.
Quanto ao resto: líquidos na bagagem de mão, dentro dos limites habituais de 100 ml por frasco; isqueiros não podem ir na mala de porão; objetos cortantes e ferramentas vão na mala de porão, nunca na de mão. Nas estações, o controlo é rápido e cordial, mas pode pedir-te que abras uma garrafa de água ou que ponhas o computador à parte.
Aqui está metade do peso que se pode poupar. Os hotéis chineses, incluindo os de categoria média, fornecem chinelos, toalhas, secador de cabelo, sabão e água engarrafada todos os dias. Não precisas de levar nada disso, e levar apenas reduz o espaço para o que realmente importa.
A água é outro falso problema. Encontras água engarrafada em qualquer loja de conveniência a preços de um a dois yuan, e todos os hotéis deixam garrafas no quarto. Leva uma garrafa reutilizável e enche-a, em vez de carregares litros desde Portugal.
Também não precisas de uma quantidade enorme de dinheiro em notas: os pagamentos com aplicação dominam o país, e as notas servem para pequenos casos. Leva o suficiente para o primeiro dia e para imprevistos, e deixa o resto no cartão ou na carteira digital. Por último, deixa as roupas formais em casa: na China ninguém te julga pela camisa, e conforto vence elegância em qualquer dia de viagem.
Se a mala de porão se extraviar, o que levas contigo determina a tua qualidade de vida nos primeiros dois dias. É por isso que a bagagem de mão deve ter mais do que um livro.
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