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Forte de Jiayuguan sob céu amplo no oeste da China
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Guia prático

Bagagem:
o que levar para a China

A tentação é levar tudo. Mas na China encontras praticamente tudo o que precisas, muitas vezes a preços melhores, e cada quilo a mais paga-se em escadas, estações e noites a subir um planalto. A lista certa é mais curta do que parece.

A regra base: menos roupa, mais camadas

Um erro frequente é fazer a mala a pensar num clima só. Uma viagem de duas semanas na China atravessa muitas vezes regiões diferentes: pode fazer 30 graus em Xangai e 5 graus à noite em Qinghai, tudo no mesmo percurso. Em vez de roupas específicas para cada cenário, leva peças que se sobrepõem em camadas removíveis.

Na prática, isto significa uma base leve (t-shirt, camisa de manga comprida), uma camada intermédia (camisola polar ou casaco fino) e uma camada exterior de corta-vento ou impermeável. Com estas três, cobre-se do calor húmido de Guangzhou ao frio seco do planalto, e a mala continua a caber.

Há uma peça que quase ninguém pensa em levar e que faz toda a diferença: sapatos já usados e confortáveis. Na China anda-se muito, em pisos irregulares, em escadas de templos e em calçada de aldeias. Sapatos novos em viagem é o caminho mais direto para bolhas nos primeiros três dias.

Documentos e cópias: a parte que não se improvisa

Se há coisa que não se resolve no destino, é um documento perdido. Por isso, o dossier de viagem é a primeira coisa a preparar e a última a arrumar.

  • Passaporte com pelo menos seis meses de validade e páginas livres, mais o visto tratado antes de partir.
  • Cópia do passaporte e do visto em papel e no telemóvel, separadas do original.
  • Bilhetes de avião, comboios e reservas de hotel, em papel e offline no telemóvel.
  • Endereço de todos os alojamentos em caracteres chineses, além do contacto de assistência.
  • Seguro de viagem com cobertura médica, com o número de apólice e a linha de assistência escrita à mão.
  • Cartão de crédito, algum dinheiro em notas e a confirmação das carteiras digitais verificadas.
Fotografa os documentos. Uma pasta no telemóvel com o passaporte, o visto, o seguro e os bilhetes resolve 90 por cento dos problemas. Guarda também uma cópia na conta de e-mail a que consigas aceder com outra rede. Antes da partida, a JoyoTour entrega o dossier de viagem completo, com o itinerário, os comprovativos das reservas, os endereços em caracteres chineses e os contactos de assistência.

Eletricidade: adaptador sim, transformador não

A China usa 220 volts, 50 hertz, o mesmo que Portugal, pelo que os teus aparelhos funcionam sem transformador. O que muda é a ficha: em grande parte das tomadas chinesas a entrada é de dois pinos planos paralelos ou de três pinos planos, diferentes das fichas de dois pinos redondos que usamos em Portugal.

Precisas, portanto, de um adaptador, não de um transformador. Leva dois: um na mochila e um na mala, porque na hora de carregar tudo à noite, com telefones, câmaras e baterias, um único adaptador transforma-se num problema de logística familiar.

Se viajas com vários aparelhos, uma extensão com tomadas portuguesas mais um adaptador chinês é a solução mais prática: carregas tudo de uma vez e levas apenas um adaptador. Deixa as extensões e os carregadores na mala de porão ou na bagagem de mão, conforme a bateria, e usa sempre adaptadores de qualidade: uma ficha barata mal feita pode danificar um carregador caro.

Roupa por estação

A China tem verões quentes e húmidos no sul e no leste, invernos secos e frios no norte, e um planalto em que a amplitude térmica diária é enorme. Vestir-se bem é vestir-se por camadas.

  • Primavera (março–maio) — camadas, um impermeável leve e um casaco fino; chove em Xangai e em Guilin e ainda faz frio em Pequim em março.
  • Verão (junho–agosto) — roupa leve e transpirável, chapéu, óculos de sol e proteção solar alta; no sul, a humidade é intensa.
  • Outono (setembro–novembro) — a melhor estação para viajar: manga comprida de dia e casaco ao serão, sobretudo no norte e no planalto.
  • Inverno (dezembro–fevereiro) — casaco quente, luvas, gorro e calçado isolado no norte; no sul, frio húmido sem aquecimento generalizado.
  • Planalto, em qualquer estação — casaco corta-vento, polar, gorro, luvas leves e proteção solar; à noite desce muito, mesmo no verão.

A farmácia de viagem

Leva uma farmácia pequena e pessoal, com o que sabes usar. Na China encontras medicamentos, mas as embalagens estão em chinês e o nome comercial é diferente do europeu, o que numa situação de mal-estar é exatamente o que não queres estar a descortinar.

  • Antidiarreico e soro de reidratação oral, para os primeiros dias de adaptação.
  • Analgésico e antipirético habituais, em quantidade suficiente para a viagem.
  • Medicação pessoal de uso contínuo, na embalagem original e com a receita médica.
  • Protetor solar de fator alto, bálsamo labial e repelente, sobretudo no sul e no verão.
  • Pensos, antisséptico e algo para bolhas nos pés, que aparecem sempre na primeira semana.
Medicação de uso contínuo: leva sempre na bagagem de mão, com a receita traduzida em inglês. Alguns medicamentos comuns na Europa têm regras de entrada específicas na China, e a receita resolve qualquer dúvida no controlo. Não ponhas a medicação na mala de porão: se a mala se extraviar, ficas sem ela.

O que a segurança não deixa passar

Nos aeroportos e nos comboios chineses há controlo de bagagem, e nas estações de alta velocidade passa-se por pórtico à entrada. As regras sobre baterias são as que causam mais problemas e são fáceis de cumprir se souberes o essencial.

As baterias externas e as baterias de lítio vão sempre na bagagem de mão, nunca na mala de porão, e devem estar identificadas com a capacidade em watt-hora. As baterias até 100 Wh são aceites sem autorização especial; acima desse valor, precisam de aprovação da companhia, o que raramente vale a pena tratar. Um carregador comum de 20.000 mAh fica bem dentro do limite.

Quanto ao resto: líquidos na bagagem de mão, dentro dos limites habituais de 100 ml por frasco; isqueiros não podem ir na mala de porão; objetos cortantes e ferramentas vão na mala de porão, nunca na de mão. Nas estações, o controlo é rápido e cordial, mas pode pedir-te que abras uma garrafa de água ou que ponhas o computador à parte.

  • Baterias externas e de lítio: sempre na bagagem de mão, com a capacidade marcada.
  • Nada de objetos cortantes nem ferramentas afiadas na bagagem de mão.
  • Líquidos: frascos até 100 ml, dentro de um saco transparente.
  • Medicamentos na mala de mão, na embalagem original.
  • Alimentos frescos e produtos de origem animal: sujeitos a restrição na entrada.

O que não precisas de levar

Aqui está metade do peso que se pode poupar. Os hotéis chineses, incluindo os de categoria média, fornecem chinelos, toalhas, secador de cabelo, sabão e água engarrafada todos os dias. Não precisas de levar nada disso, e levar apenas reduz o espaço para o que realmente importa.

A água é outro falso problema. Encontras água engarrafada em qualquer loja de conveniência a preços de um a dois yuan, e todos os hotéis deixam garrafas no quarto. Leva uma garrafa reutilizável e enche-a, em vez de carregares litros desde Portugal.

Também não precisas de uma quantidade enorme de dinheiro em notas: os pagamentos com aplicação dominam o país, e as notas servem para pequenos casos. Leva o suficiente para o primeiro dia e para imprevistos, e deixa o resto no cartão ou na carteira digital. Por último, deixa as roupas formais em casa: na China ninguém te julga pela camisa, e conforto vence elegância em qualquer dia de viagem.

Mala de mão: o essencial que fica contigo

Se a mala de porão se extraviar, o que levas contigo determina a tua qualidade de vida nos primeiros dois dias. É por isso que a bagagem de mão deve ter mais do que um livro.

  • Passaporte, cópias, seguro e bilhetes, num único saco fácil de encontrar.
  • Medicação de uso contínuo e a farmácia básica.
  • Carregador, bateria externa e adaptador.
  • Uma camada de roupa: uma mudança completa e uma peça quente.
  • Escova de dentes, medicamentos íntimos e o que for insubstituível.
E um detalhe que salva dias: leva um saco vazio dobrado. Na China vais comprar mais do que pensas, entre chá, seda e artesanato, e um saco extra pesa nada e resolve a mala no dia do regresso. Antes de fechar tudo, faz a mala com o consultor que acompanha a tua viagem: o ChinaTour.es envia uma lista adaptada à estação, ao itinerário e à altitude das noites previstas.

Perguntas frequentes

Que adaptador preciso para a China?
Um adaptador de fichas, não um transformador: a tensão é a mesma de Portugal (220 V). Leva dois, ou uma extensão portuguesa mais um adaptador.
A água da torneira é potável?
Não se bebe diretamente. Bebe água engarrafada ou fervida; os hotéis deixam garrafas no quarto e encontras água em qualquer loja.
Preciso de roupa quente no verão?
No planalto e no norte, sim: à noite a temperatura desce muito. Leva sempre uma camada quente e um corta-vento, em qualquer estação.
Posso levar bateria externa no avião?
Sim, mas só na bagagem de mão, com a capacidade em watt-hora identificada e normalmente até 100 Wh. Nunca na mala de porão.
Que medicamentos levo de casa?
Os de uso contínuo, com receita, e uma farmácia básica: antidiarreico, soro de reidratação, analgésico, protetor solar e pensos para os pés.
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