As festas chinesas são, ao mesmo tempo, a melhor e a pior altura para viajar. A melhor, porque o país vive momentos que não se veem em nenhuma outra época: lanternas vermelhas, danças de dragão, mercados de rua e fogos de artifício. A pior, porque nessas mesmas datas metade da China viaja ao mesmo tempo, e hotéis, comboios e atracções ficam cheios e caros.
Este guia separa as duas coisas. Explica as principais festas, o que se vê em cada uma, em que datas caem e, sobretudo, quais valem a pena e quais convém evitar. A regra geral é simples: as festas tradicionais regionais e minoritárias são ouro; as grandes festas nacionais, com excepção de uma ou outra, transformam o país num engarrafamento.
As festas do calendário tradicional
O calendário tradicional chinês rege várias das grandes festas, e as suas datas mudam todos os anos, porque seguem o calendário lunar. As mais conhecidas são o Ano Novo Chinês, ou Festa da Primavera, a Festa das Lanternas, a Festa de Qingming, a Festa dos Barcos-Dragão e a Festa do Meio do Outono. Cada uma tem tradições próprias e uma comida associada.
O Ano Novo Chinês é a mais importante e a que mais desloca pessoas: durante cerca de quinze dias, milhões voltam às suas aldeias. A Festa das Lanternas fecha esse ciclo, com lanternas e desfiles. A Festa dos Barcos-Dragão, no início do verão, tem corridas de barcos em forma de dragão em rios e lagos por todo o país. A Festa do Meio do Outono celebra a colheita com bolos de lua.
Ano Novo Chinês: a mais famosa e a mais difícil
O Ano Novo Chinês é o exemplo perfeito da festa de duas caras. Por um lado, a atmosfera é irrepetível: mercados de Ano Novo, lanternas, espectáculos e a maior migração humana do planeta. Por outro, muitos restaurantes e lojas pequenas fecham, os preços dos transportes disparam e as aldeias e cidades turísticas enchem-se de famílias em visita.
Há, contudo, uma forma inteligente de o viver: ficar numa grande cidade. Quando milhões partem para as aldeias, Pequim, Xangai e Shenzhen esvaziam-se, o metro torna-se cómodo e os museus visitam-se com calma. É uma forma curiosa de ver as cidades quase vazias, desde que se aceite que parte da vida de rua desaparece nesses dias.
Lanternas, Barcos-Dragão e Meio do Outono
A Festa das Lanternas, cerca de duas semanas depois do Ano Novo, é a mais fotogénica. As cidades decoram-se com lanternas e há desfiles, e em alguns lugares há lançamento de lanternas iluminadas para o céu ou para a água. A Festa dos Barcos-Dragão, em junho, junta equipas a remar em barcos com cabeça de dragão, num ambiente desportivo e popular que se vê em rios, lagos e canais.
A Festa do Meio do Outono, no outono, é a mais tranquila das grandes. Celebra-se ao ar livre, com bolos de lua recheados, e o símbolo é a lua cheia. É uma boa altura para estar numa cidade com parques e jardins, porque muitas famílias saem à noite para contemplar a lua e comer os bolos juntos.
As festas minoritárias: o verdadeiro tesouro
Se há festas que valem uma viagem, são as regionais e minoritárias, longe do grande circuito turístico. Em Guizhou, a Festa das Irmãs da etnia Miao junta milhares de pessoas em trajes tradicionais, com danças, bordados e encontros entre jovens. É uma das festas mais bonitas da China e um dos melhores exemplos de como o país tem muito mais do que a sua maioria han.
No sul de Yunnan, a Festa da Água da etnia Dai enche as ruas de gente a aspergir água uns aos outros, num ritual de renovação. No Tibete, as festas dos mosteiros, com danças de máscaras e desfiles de tangka, são de outra dimensão. Estas festas têm data local, por vezes variável, e exigem que se organize a viagem à volta delas com meses de antecedência.
O Festival do Gelo de Harbin
O Festival do Gelo de Harbin, no nordeste, é uma festa moderna que se tornou um ícone: esculturas de gelo do tamanho de edifícios, iluminadas à noite, e temperaturas que podem descer bem abaixo dos vinte graus negativos. Dura de finais de dezembro a fevereiro, com abertura oficial no início de janeiro. É espetacular, mas exige roupa adequada e tolerância ao frio extremo.
É também um dos eventos mais concorridos do inverno: os hotéis de Harbin esgotam e os preços sobem muito no período de abertura. Se esta for a sua prioridade, reserve com meses de antecedência e prepare-se para filas e para o frio.
Quais evitar e quais abraçar
A grande divisória são as duas festas nacionais que enchem o país: a Semana Dourada de outubro e o Ano Novo Chinês. Para quem quer ver monumentos e paisagens sem multidões, são as datas a evitar a todo o custo, porque os comboios esgotam, os hotéis sobem e as filas tornam-se intermináveis. Para quem quer viver a festa e não se importa com a gente, são justamente as melhores.
A regra prática é esta: se o objetivo é ver lugares, evite as grandes festas; se o objetivo é sentir o país, escolha uma festa regional ou minoritária e organize a viagem à volta dela. As festas pequenas dão a atmosfera das grandes sem o engarrafamento das grandes.
Como planear uma viagem à volta de uma festa
Planear uma viagem por causa de uma festa exige antecedência. As datas lunares mudam, os voos e hotéis enchem e a disponibilidade local fica escassa. O sensato é fixar a festa como âncora, reservar os voos e o alojamento o mais cedo possível e construir o resto do itinerário à volta dela, com dias de almofada.
A ChinaTour.es, o site em português do grupo JoyoTour, acompanha todos os anos o calendário lunar e as datas das principais festas regionais, e desenha itinerários que colocam o viajante no lugar certo no dia certo. Se a sua viagem tem uma festa como objetivo, é o tipo de planeamento em que um consultor local evita meses de dúvidas.
Erros que se pagam caros
- Assumir que as festas caem sempre na mesma data do calendário solar.
- Reservar voos para uma festa regional sem confirmar a data exacta desse ano.
- Marcar um circuito clássico para a Semana Dourada e esperar calma.
- Ir ao Festival do Gelo de Harbin sem roupa adequada para o frio extremo.
- Deixar o alojamento para a última hora numa época festiva.
A melhor forma de ver a China em festa não é ir à maior: é ir à mais pequena, na aldeia certa, no dia certo.
— Um consultor cultural em Guizhou
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Escreva no WhatsAppSomos a agência recetiva por trás da ChinaTour.es. A JoyoTour desenha viagens à medida desde 1999 e conta com 150 designers de roteiros na China, no Sudeste Asiático, na Europa e nas Américas. Mais de 100.000 viajantes já partiram connosco. Tudo o que aqui contamos, percorremos primeiro.
