Xangai é a cidade mais fácil da China para um primeiro contacto: metro limpo, sinalização em inglês e uma paisagem urbana que vai do século XIX ao futuro em poucos quarteirões. Em três dias vê-se o essencial sem correrias, desde que a ordem seja a certa. O erro habitual é começar pelo Bund à noite, com toda a gente, em vez de o ver ao amanhecer, quando é só seu.
Este roteiro distribui os três dias por zonas, para não andar a atravessar a cidade em todas as direcções. Inclui horas concretas, linhas de metro e uma escapadela opcional a uma vila de água. O ritmo é realista: caminha-se muito, mas nunca se salta de atração em atração como um autocarro turístico.
Dia 1: o Bund ao amanhecer e o Xangai antigo
Comece o primeiro dia no Bund, o passeio à beira do rio Huangpu, antes das oito. É o momento em que o rio está calmo, os edifícios históricos da margem oeste ganham luz suave e a fila de turistas ainda não chegou. Caminhe do sul para o norte, com o skyline de Pudong sempre à direita, e pare nas pontes para fotografar.
Depois, suba à Nanjing Road, a artéria comercial, e siga até ao jardim de Yu Yuan, o jardim clássico do século XVI no meio da cidade antiga. Vá cedo, antes das dez, para evitar a multidão, e depois percorra o mercado em volta, ideal para provar dumplings ao vapor. À tarde, visite o Templo do Buda de Jade ou o museu de arte de Xangai, conforme o que lhe apetecer.
- Antes das 08:00: Bund, do sul para o norte, sem multidões.
- 09:00 às 11:00: jardim de Yu Yuan e cidade antiga.
- Almoço: dumplings ao vapor no mercado de Yu Yuan.
- Tarde: Templo do Buda de Jade ou museu de arte.
- Fim do dia: Nanjing Road iluminada, a pé.
Dia 2: Pudong, os arranha-céus e a margem nova
O segundo dia é o Xangai do futuro. Atravesse o rio de metro ou de barco e visite Lujiazui, o bairro dos arranha-céus. Suba a uma torre de observação — há várias, com alturas e preços diferentes — e escolha o fim da tarde para ver a cidade com luz e depois iluminada. A torre mais alta tem filas, pelo que convém reservar hora.
Depois, percorra a zona do antigo porto e o museu de arte contemporânea, e pare para almoçar num dos centros comerciais, que têm boa oferta de cozinha de outras regiões. À tarde, atravesse para a margem oeste outra vez e passe pela zona da antiga concessão francesa, com ruas arborizadas, casas de tijolo e cafés, um contraste total com Pudong.
Dia 3: vila de água ou Suzhou
O terceiro dia tem duas boas opções. A mais próxima é Zhujiajiao, uma vila de água a uma hora do centro, com canais, pontes de pedra e barcos a remo, ideal para meio dia. A mais ambiciosa é Suzhou, a cidade dos jardins clássicos, a cerca de trinta minutos de comboio de alta velocidade, com jardins como o do Administrador Humilde e o do Mestre das Redes.
Se escolher Suzhou, saia cedo, reserve o comboio de ida e volta com antecedência e concentre-se em dois jardins e no museu de Suzhou, em vez de tentar ver tudo. Se preferir uma vila de água sem atravessar outra cidade, Zhujiajiao faz-se numa manhã e deixa-lhe a tarde livre para as compras ou para repetir o Bund ao entardecer.
Tianzifang, Xintiandi e a concessão francesa
Se ficar na cidade ao terceiro dia, dedique-o aos bairros. Tianzifang é um labirinto de becos com ateliers, lojas de artesanato e pequenos bares, óptimo para uma tarde. Xintiandi é o bairro elegante, com casas de tijolo restauradas, restaurantes e galerias, mais caro e mais cuidado.
A envolvente da antiga concessão francesa é, para muitos, a melhor zona para caminhar sem destino: plátanos, casas baixas, padarias e cafés de especialidade. É aqui que se percebe que Xangai não é só arranha-céus, mas uma cidade de camadas, onde o século XIX e o XXI partilham o mesmo quarteirão.
Como se mover: metro, táxi e a pé
O metro de Xangai tem mais de vinte linhas e leva-o praticamente a todo o lado por poucos CNY. Um bilhete simples anda aproximadamente entre 3 e 8 CNY, e há cartões de vários dias que compensam se usar muito o metro. As estações estão sinalizadas em inglês e o pagamento faz-se por aplicação ou por bilhete de papel.
Os táxis e as aplicações de transporte funcionam bem e são a melhor opção à noite ou com bagagem. A pé, a cidade é agradável nas zonas históricas, mas as distâncias entre bairros são grandes: combine sempre um troço de metro com caminhadas nos bairros, em vez de tentar fazer tudo a pé ou tudo de táxi.
| Dia | Manhã | Tarde | Noite |
|---|---|---|---|
| 1 | Bund e cidade antiga | Jardim de Yu Yuan e templo | Nanjing Road iluminada |
| 2 | Pudong e arranha-céus | Concessão francesa | Observatório ao anoitecer |
| 3 | Vila de água ou Suzhou | Compras e bairros | Bund ao entardecer |
Comparar Xangai com Pequim
Quem tem poucos dias na China pergunta sempre se vale mais Xangai ou Pequim. A resposta depende do que procura: Pequim tem a história imperial, a Cidade Proibida e a Grande Muralha; Xangai tem o presente e o futuro, com a melhor porta de entrada para quem quer conhecer a China contemporânea. Se puder, veja as duas: liga-se em cerca de quatro horas e meia de comboio de alta velocidade.
Para um primeiro contacto, Xangai costuma ser a entrada mais suave, com o aeroporto de Pudong ligado ao centro e uma cidade fácil de descodificar. A ChinaTour.es, o site em português do grupo JoyoTour, usa Xangai como ponto de partida de muitos circuitos, com transfer privado desde o aeroporto e um consultor em português que ajusta os três dias ao seu ritmo e aos seus interesses.
Erros que se pagam caros
- Ir ao Bund só à noite, com multidões, e perder o amanhecer.
- Atravessar a cidade de ponta a ponta todos os dias sem agrupar zonas.
- Subir a uma torre sem reserva e ficar duas horas na fila.
- Tentar Suzhou e Zhujiajiao no mesmo dia.
- Comprar o bilhete de comboio de volta para a última hora.
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